

O Google está, enfim, alterando as normas que antes autorizavam os desenvolvedores a acessarem as caixas de entrada dos usuários do Gmail.
A empresa divulgou um conjunto de novas diretrizes para programadores cujos aplicativos estão integrados ao Gmail, restringindo significativamente os dados que os desenvolvedores podem acessar. Essas alterações foram apresentadas como parte de uma série de atualizações de segurança em resposta à confirmação pelo Google de uma falha no Google+ que expôs informações de centenas de milhares de usuários.
Segundo as novas diretrizes do Gmail, aplicativos de terceiros não terão mais permissão para analisar o conteúdo das caixas de entrada dos usuários em busca de informações para publicidade ou pesquisa de mercado. O Google já havia informado que interromperia a prática de escanear contas de email para direcionar anúncios desde junho do ano passado.
“Segundo uma atualização para os desenvolvedores, a empresa afirmou que os aplicativos externos autorizados a utilizar essas APIs devem empregar os dados exclusivamente para aprimorar a experiência do usuário, proibindo a sua utilização para propósitos como publicidade direcionada, pesquisa de mercado, monitoramento de campanhas de e-mail e outros objetivos não pertinentes.”
O Google está reforçando a revisão de aplicativos que utilizam o Gmail, a fim de assegurar que não solicitem acesso indevido a informações pessoais. Os desenvolvedores têm até janeiro de 2019 para submeter seus aplicativos já existentes para serem aprovados pelo Google.
Apesar das críticas de especialistas em segurança, muitas empresas contam com a prática de coletar dados das caixas de entrada dos usuários para seus modelos de negócios. O Google justificou suas políticas anteriores, afirmando que os usuários precisavam concordar com elas antes que seus dados fossem acessados. No entanto, muitas pessoas não leem ou não compreendem completamente as políticas de privacidade e as permissões dos aplicativos, o que dificulta sua compreensão do que estão aceitando.
Isso aconteceu com o Unroll.me, um aplicativo que auxilia os usuários a cancelarem assinaturas de newsletters. O aplicativo, que se tornou popular, foi criticado após o The New York Times revelar que estava vendendo informações anonimizadas para a Uber, como parte de um esforço da empresa para competir com a Lyft. A divulgação gerou uma reação imediata contra o serviço, que pertence à Slice, uma empresa especializada em ferramentas de compras pela internet.
As recentes alterações nas políticas do Google favorecem a privacidade, porém podem impactar negativamente empresas que se baseiam na coleta de dados dos e-mails dos usuários. De acordo com Perri Chase, cofundador da Unroll.me, a coleta de dados é essencial para o modelo de negócios das empresas de e-mail.
Apesar de os serviços como Unroll.me ainda terem a capacidade de acessar informações de outras plataformas de e-mail, a exclusão do Gmail, que conta com mais de 1 bilhão de usuários, é de grande importância. (Ao ser questionado sobre o assunto, um representante do Unroll.me optou por não comentar, afirmando que a empresa estava “analisando as notícias”.)
Para os usuários do Gmail, as mudanças trarão alívio ao acabar com a possibilidade dos desenvolvedores lerem seus e-mails sem transparência. Eles não poderão mais se esconder atrás de políticas de privacidade vagas.
Assunto: Google oferece suporte técnico para computadores.

Karissa atuou como Repórter Sênior de Tecnologia no site Mashable, residindo em São Francisco. Ela se dedica a abordar temas como mídias sociais, Silicon Valley e os impactos da tecnologia em nosso cotidiano. Seus artigos já foram publicados em veículos renomados como Wired, Macworld, Popular Mechanics e The Wirecutter. Nos momentos de lazer, Karissa aprecia a prática de snowboard e assistir a vídeos de gatos no Instagram. Para acompanhá-la, siga-a no Twitter @karissabe.
