Novas pesquisas sugerem que a China tem o poder de perturbar ou eliminar o Bitcoin.

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Stan Schroeder
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China is capable of destabilizing or destroying Bitcoin, new research suggests
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Em 2008, Satoshi Nakamoto, o pseudônimo do fundador, concebeu o Bitcoin como um sistema de moeda digital descentralizado e sem necessidade de confiança.

Dez anos após sua criação e diante de várias flutuações de valor significativas, o Bitcoin aparenta ter se mantido estável ao longo do tempo. Contudo, é verdadeiramente descentralizado e capaz de resistir a possíveis ataques?

Um recente estudo, realizado por acadêmicos da Universidade de Princeton e da Universidade Internacional da Flórida, indica que a influência dominante sobre o Bitcoin é atribuída em grande parte à China.

O artigo, publicado no The Next Web e ainda não revisado por especialistas, descreve vários possíveis ataques e interferências que a China poderia realizar contra o Bitcoin. Também destaca que a China possui os recursos e a motivação necessários para executar esses ataques, e já está exercendo influência na rede de várias formas.

Os mineiros de Bitcoin, que utilizam uma considerável capacidade computacional, são responsáveis por manter a rede funcionando, processando transações e gerando novas bitcoins. A quantidade total de poder computacional é medida pela taxa de hash total, sendo que, conforme o texto, 74% está localizada na China.

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Este fenômeno tem sido amplamente reconhecido e motivo de preocupação por um longo período de tempo, uma vez que, teoricamente, possibilita que mineiros chineses (reunidos em grandes grupos conhecidos como pools de mineração) se unam e realizem um ataque de 51% no Bitcoin, o que implicaria em assumir o controle total da rede (apesar de haver debates sobre a viabilidade e praticidade desse tipo de ataque nesse cenário).

No entanto, o artigo indica que o Grande Firewall da China e o Grande Canhão, que são utilizados para controlar o tráfego da internet no país, poderiam ter impactos na rede do Bitcoin. O texto destaca que em determinado momento, o Grande Firewall influenciou mineiros chineses a minerar “blocos vazios”, atrasando a rede. Esse problema foi resolvido com a atualização do software do Bitcoin, conhecida como BIP152. O artigo sugere que essa situação evidenciou a capacidade técnica da China de influenciar o Bitcoin a nível global, mesmo que não tenha sido intencional.

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O texto descreve diferentes formas pelas quais a China, munida de uma variedade de ferramentas regulatórias e técnicas, pode impactar o Bitcoin. Isso inclui a possibilidade de realizar ataques de censura para impedir transações no blockchain do Bitcoin, bem como ataques de deanonimização para associar transações Bitcoin, que são teoricamente anônimas, a entidades do mundo real. Além disso, devido ao seu considerável poder de mineração concentrado, a China poderia interferir nas operações de mineração de concorrentes. Por fim, diversos tipos de ataques poderiam ser executados com o objetivo de desestabilizar, interromper ou até mesmo destruir completamente a rede.

No entanto, a situação não é tão simples assim. De acordo com os pesquisadores, a China não exerce um controle direto sobre os mineiros que operam em seu território, embora possa influenciá-los ou pressioná-los de certas maneiras. Além disso, surge a questão da motivação por trás do interesse da China em interromper ou destruir o Bitcoin. O texto sugere que a “Bitcoin está em desacordo ideológico com a filosofia de governo centralizado da China”. A China também pode visar atacar o Bitcoin para fins de aplicação da lei ou para aumentar seu controle sobre a criptomoeda.

“Conforme o Bitcoin é adotado em maior escala e se torna mais integrado aos sistemas financeiros globais, ele passa a representar uma possível ferramenta para prejudicar economias estrangeiras”, disse o jornal.

A pesquisa descreve uma situação preocupante para o Bitcoin, que tem como principal benefício em relação às redes de pagamento convencionais a sua independência de uma entidade central para funcionar. No entanto, essa característica perde sua utilidade se uma única entidade conseguir interromper, censurar ou destruir a rede do Bitcoin.

Optamos por examinar a China devido a ser considerada a maior ameaça potencial ao Bitcoin, e constatamos que possuem motivos destacados para atacar o sistema, além de possuírem capacidades regulatórias e técnicas avançadas para executar esses ataques. O estudo sugere como próximos passos a análise das soluções já existentes para as ameaças específicas que a China representa ao Bitcoin, bem como a identificação e redução de possíveis falhas nessas proteções.

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Divulgação: O redator deste texto é detentor, atualmente ou em algum momento recente, de uma variedade de moedas digitais, como BTC e ETH.

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Stan Schroeder
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Stan é um editor experiente da Mashable, onde está empregado desde 2007. Ele possui uma coleção maior de dispositivos eletrônicos e camisetas de bandas do que você. Ele se dedica a escrever sobre as últimas novidades, que costumam ser relacionadas a telefones, moedas ou carros. Seu principal objetivo é ter conhecimento variado sobre diversos temas.

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