

O governo dos Estados Unidos em breve poderá ter o poder de desativar drones de propriedade privada que forem considerados uma ameaça.
Após ser aprovado na Câmara em abril, o Senado também aprovou a renovação do financiamento para a Administração Federal da Aviação até 2023 por meio da Lei de Reautorização da FAA.
Ele busca atualizar as regulamentações da aviação, com o objetivo de melhorar a experiência dos passageiros com deficiência durante voos comerciais e combater o uso de drones por particulares.
De forma específica, a seção 1602 permite a proteção de determinadas instalações e ativos de drones não tripulados, autorizando a detecção, identificação, monitoramento, rastreamento e captura de drones sem consentimento prévio, incluindo a interceptação.
Os funcionários recebem treinamento para operar e monitorar drones e têm permissão para agir com força adequada, se preciso, para incapacitar, danificar ou destruir o dispositivo.
Os grupos de direitos civis argumentam que essa liberdade pode ser mal utilizada pelos Departamentos de Justiça e Segurança Interna, o que poderia transformar os céus em um ambiente sem lei, semelhante ao Oeste Selvagem.
Veículos aéreos sem tripulação tornaram-se populares entre pilotos, cineastas, aventureiros e profissionais da comunicação. Inclusive, a marca Dolce & Gabbana utilizou drones em vez de modelos humanos em um desfile de moda em fevereiro.
No entanto, os dispositivos também são considerados uma preocupação, sendo encontrados na Casa Branca e sendo usados para contrabandear smartphones pela China.
A ACLU e a EFF criticaram o projeto de lei.
“Essas medidas concedem ao governo amplo poder para supervisionar, apreender ou até mesmo derrubar drones no céu – independentemente de serem de propriedade de jornalistas ou de entidades comerciais – sem supervisão ou processo adequado”, afirmou um representante da ACLU à TechCrunch. “Elas conferem novas capacidades para… vigiar os americanos sem a necessidade de uma autorização judicial.”
O grupo mencionou que a presença de drones pode gerar preocupações relacionadas à segurança e à privacidade, e destacou a importância da intervenção governamental para lidar com essas questões. No entanto, eles afirmaram que a abordagem atual não é a mais adequada.
Outros críticos, como o Electronic Privacy Information Center (EPIC), afirmaram que a legislação não considera devidamente as preocupações sobre o impacto da privacidade dos drones e não oferece salvaguardas mínimas de privacidade.
O projeto de lei está seguindo para a mesa do presidente, onde é esperado que seja ratificado como lei, conforme relata a TechCrunch.
Assuntos: Veículos Aéreos Não Tripulados
